domingo, 20 de maio de 2018

A construção do Nós.


Preâmbulo. 

Meu irmão.

Quando nos propomos escrever este texto pensei inicialmente em falar sobre as escolhas que fizemos e que nos trouxeram até aqui; aquilo que não escolhemos e não nos permitiu chegar lá. O imponderável da vida.... o que nos fortaleceu.

Depois pensei em falar apenas do amor que nos fez superar as diferenças e desejarmos estar mais próximos (mesmo sabendo que ficando três dias juntos o pau come rsrsrsr) e dar palpites para sua outra metade da vida, já que é o que faço de melhor na nossa relação...

Finalmente decidi escrever sobre o que nos afasta e o que nos aproxima, o que nos faz tão diferentes, o que nos faz igual. Vamos lá...

A construção do nós.

Eu análise sintática
Você a música, o desenho, a poesia
Nós fruição e belezura.

Eu o camping.
Você o resort.
Nós a vontade de conhecer o mundo.

Você a fé sistematizada.
Eu a incerteza e a busca.
Nós a justiça social.

Eu concentração.
Você desatenção.
Nós a vontade do saber mais.

Você o culto e o almoço tradicional de domingo.
Eu o cachorro quente na pista de skate.
Nós os filhos em primeiro lugar.

Eu o agradar o outro.
Você o agradar o outro.
Nós... precisamos pensar mais nas nossas necessidades.

Você a berinjela à parmegiana.
Eu a conversa aconchegante no final da tarde.
Nós um amor incondicional pela mãe.

Eu a fala desenfreada.
Você o silêncio.
Nós as coisas mal resolvidas do passado.

Você a lavagem do banheiro.
Eu a sala, o quarto, toda a sua bagunça.
Nós a visão distorcida do passado.

Eu a vontade de estarmos mais juntos.
Você a vontade de estarmos juntos.
Nós... precisamos nos priorizar.

Ana Guabiraba






sábado, 19 de maio de 2018

Em tempos de crise ou Refúgio

Se o crime não compensa,
Se o grito não ressoa,
Se o creme não dissolve,
Se o grude não sustenta,
se o cravo não floresce,
Se o grave não ecoa,
Se o crivo não resolve,
Se a gruta não esconde,
Se o credo não entoa,
Se a grama não cresce,
Se até Cristo não responde...

Eu apelo para a Arte
Que transforma minha cruz
Em giz de pintar sonhos.


Daniela Bonafé

Mana

Irmã é isso:
Estar perto, no coração, mesmo quando estamos longe fisicamente.
Um amor sem medida, com uma história que vem desde antes.
Minha mana eu quis cuidar.
Quis desde criança estar perto e ver crescer.
E a responsabilidade por ser mais velha às vezes me pesou porque eu achava que tinha que ser mesmo um bom exemplo.
Tentei. Às vezes consegui e noutras não.
O fato é que sempre minha mana esteve em meus pensamentos.
Vivemos bons e maus momentos. Brigamos bastante e nos entendemos também.
É uma amiga para quem mostro meu melhor e meu pior.
Um misto de orgulho e alegria por tê-la em minha vida, presença constante.
Não imagino meus dias sem ela, seja num churrasco ou numa conversa rápida ao telefone.
Acredito (e talvez ela não) que nós combinamos de vir juntas nessa existência, para aprendermos mais sobre esse amor fraterno e gratuito, sobre sermos porto seguro uma para a outra.
E desejo para a outra metade de nossas vidas, que envelheçamos lado a lado, debatendo política, falando de cachorros e curtindo a família...
Que sejamos melhores, no que temos em comum e também naquilo que nos diferencia.
Eu te desejo mana toda a alegria que só um grande amor pode desejar.
Porque o que sinto por você é imensurável.
Não está no sangue, nas afinidades e nem em nada que por aqui se revela.
Meu amor por você está para além do entendimento.
Um grande beijo!

Daniela Bonafé