Você apareceu na minha porta umas trinta vezes este ano.
Bateu, brigou, apanhou, irritou, atrapalhou.
Trouxe seu pai com uma história sem pé nem cabeça. Hoje acho
que queria nos apresentar.
Sumiu.
Cruzava com você diariamente mas mantinha meu olhar
afastado. Queria te dar a liberdade que merece.
Conversava com sua professora sobre suas dificuldades, seus
avanços. Queria saber um pouco mais do seu percurso.
Hoje apareceu com outra história sem cabeça nem pé.
Aproveitei e fui matar um pouco da saudade.
Conversamos sobre como andam as coisas, o que estava
sentindo, o que estava aprendendo.
Lemos e escrevemos juntos. Comemoramos todos os avanços.
Você saiu sabendo de toda a sua potência, consciente do seu caminho.
Muito, muito de você: da sua vontade, da sua disposição, da
sua paciência com você mesmo.
Muito, muito da sua professora: que acreditou em você, nela
mesmo, no seu trabalho e no poder de transformação do conhecimento.
Um dedinho bem pequenininho de mim: que trabalhou para que
você e sua professora fossem abastecidos de boa parte do que precisavam para que
superassem os desafios que enfrentaram e estão vencendo.
Que a calmaria que mora no fundo de mim possa conduzir meus
próximos anos de trabalho. Que o prazer de compartilhar a vida e o conhecimento
estejam presentes todos os dias. Que possibilitar o meu crescimento e o do outro seja a
meta.
Para o filho do Rafael e aluno da professora Rosânia.
Ana Maria Guabiraba.
Ana Maria Guabiraba.
