segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Números Naturais.

3672 dias sob o mesmo teto
3000 na mesma cama
300 no sofá exaustos
372 na cama dos filhos, com a mão na testa de algum deles.

5 mudanças de casa.
2 financiamentos habitacionais
8 empréstimos bancários
4 fuscas
3 outros carros sem graça
2 carros furtados.

7 estados
1 país diferente
30 acampamentos
Incontáveis praias
Um amor por Minas em comum e incomum.

520 pizzas.
15 enroladinhos de peito de peru
52 tentativas de novas dietas
1 consulta com a nutricionista.

7 temporadas de série completas
300 episódios avulsos
437 filmes
3 TVs de tubo
6 meses sem TV alguma
Paixão pelo som do vinil.

150 brigas.
160 reconciliações
Muitos desencontros
O dobro de encontros.

2 filhos
1 parto relâmpago regado a trufas
1 cochilo no parto
1 mãe leoa (para o bem e para o mal)
1 pai que se fez presente e parceiro na adversidade.

1 gata
1 cadela compartilhada
a gestação de uma Frida que está por vir.
2 peixinhos in memoriam

1200 manhãs, tardes e / ou noites que concorreram para entrar no Top 10
210 banhos com testes do sabão
Algumas novidades
Novos planos.

Conversas intermináveis
Silêncios profundos....

O que será do nosso encontro?
Quantos números somaremos a estes?
Quais outras categorias criaremos?
Quando será nosso desencontro derradeiro?

Nosso amor sobreviverá as mudanças que a vida nos impõe? Os caminhos diversos que decidimos traçar?

Encontro de Almas

Quando foi proposto o tema do casamento, logo pensei em escrever na 1ª para a 2ª pessoa, uma oportunidade de expressar, materializar, eternizar e compartilhar meus sentimentos... Então lá vai...
                
Adriano,

                Os momentos em que alcanço o mais profundo dos meus pensamentos e sentimentos é quando concebo nosso encontro nesta vida na transcendência da matéria, nossa essência se encontrou, somos almas e foi assim que nos unimos nesta jornada.
Chegar neste entendimento possibilita acessar o que há de melhor em nós, possibilita a transformação periférica da nossa existência que impacta no que é central, por isso chamo de encontro; juntas temos conseguido viver de acordo com nossos princípios, damos importância às mesmas coisas e mesmo que, em alguns aspectos, uma esteja mais adiantada que a outra, nos esperamos, pegamos na mão e nos propomos a caminhar lado a lado.
Almas se identificam essencialmente para então, extrapolar na matéria. Nossa caminhada é marcada pela busca da coerência, até admitimos a contradição como característica inerente à forma humana, mas a coerência nos é cara e, ao mesmo tempo, desafiadora.
E neste compasso, seguimos há 17 anos... Dedico este texto aos nossos 12 anos de casamento que se completarão em outubro. Ao seu lado, tenho vivido os momentos mais lindos da minha vida: nosso primeiro encontro, nossas aventuras inesquecíveis, nosso casamento, a chegada do nosso filho e da nossa filha...
Ao seu lado, constituo-me a cada dia, em alguns aspectos pelo que temos de semelhante, em outros por nossas diferenças que são algumas tornando saudável nossa relação.
Em 17 anos passamos por diversas fases e poderia descrevê-las, mas como futurista que sou (rsrsrs) vou me arriscar nas projeções para a outra metade da vida. Apresento-lhe um cenário imaginado... Viveremos até o fim nossas excentricidades, debateremos calorosamente a essencialidade da vida, vibraremos nossas conquistas pessoais e as coletivas também, vamos nos indignar diante do inaceitável, teremos muitos motivos para celebrar e muito ainda o que decidir e não perderemos jamais o que mais nos aproxima: nosso desejo pela liberdade!
Ofereço o meu amor do tamanho da admiração que tenho por você, ofereço também o melhor de mim para que sejamos felizes mesmo diante das dificuldades da vida. Não podemos imortalizar nossa existência, mas somos essencialmente eternos e quando chegar o momento da nossa despedida, desejo encontrá-lo em outro lugar e continuar a caminhada...

Sandra Bouças

domingo, 24 de setembro de 2017

Casamento e Amor

Até uns dez anos, casamento para mim era como um conto de fadas e princesas: brilhante, bonito, feito de um amor eterno reluzente. Cheguei aos vinte tendo a absoluta certeza de que me manteria longe dele, já que casamento tinha se tornado uma mentira mal lavada: o amor não era libertário e eu, de Aquário, estava destinada a viver só. Quase perto do início da outra metade da vida, já casei três vezes com a mesma pessoa e percebo o casamento como um movimento constante do que chamo de amor.

Amor e casamento têm poucas coisas em comum para mim. Um é solto, o outro prende. Um corre, outro caminha. Um está na fadiga da busca e o outro na paz (ou não) do encontro. Amor e casamento são tão díspares que é difícil conjugá-los para que andem juntos. Requer trabalho.

A vida foi me tornando resiliente e meus casamentos foram feitos de todos os tipos de experiências: regados a flores e lágrimas, tratados com doçura e desespero, marcados de intimidade e discussões, aquecidos de sexo e raiva, mantidos com luta e paixão, exemplos de boas e más escolhas... Foram anos de acertos e erros, tentando sempre o melhor de nós, num árduo e prazeroso trabalho.

Vieram filhos para amar, casa para cuidar, contas para pagar, histórias para contar, memórias para lembrar, viagens para cansar e descansar, buracos para fechar e muitas, muitas descobertas. Descobertas sobre mim e não sobre o outro.

Na outra metade da vida eu não sei se estarei casada. Tenho em mim a tranquilidade de pensar que a minha passagem na Terra é uma caixa de surpresas para eu abrir a cada nascer do sol. Mas se eu pudesse determinar o futuro, gostaria de continuar casada.

O que eu desejo de um casamento após os quarenta é que ele não seja de migalhas, de mentiras e de metades; nem de misérias, mazelas e misancénes.

Que o casamento some sem diminuir um ou outro
Que ele abrace sem limitar os braços
Que seja livre sem algemar os sonhos
Que seja grande na simplicidade dos velhos e bons hábitos
Que seja forte na fragilidade do tempo
Que dure o suficiente para trazer uma inquieta felicidade
Que seja infinito na brevidade de um olhar ou de um sorriso

E viva o amor!


Daniela Bonafé


segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Iogurte

Eu não gosto de iogurte.
Apesar de amar leite.
Vou avisando de cara porque já tentei mil vezes começar uma dieta pelo iogurte e nunca vai dar certo. Não adianta me falar que ele favorece isso ou aquilo, pode beneficiar meu corpo deste ou daquele jeito. Topo viver um tempinho a menos se não tiver que comer iogurte.

Uso o iogurte como exemplo para pensarmos nas mudanças que estamos dispostos a fazer para mantermos nosso corpo funcionando. Não vou tomar banho gelado. Acordo cinco horas da manhã e para mim é praticamente uma tortura medieval. Claro que posso mudar de ideia daqui a poucos dias se aparecer uma doença que pode ser curada com o banho gelado as cinco da manhã. Mas hoje minha resolução é de que banho gelado só em cachoeira durante o auge do verão.

Estou disposta a realizar muitas mudanças para uma vida mais equilibrada e com menos dores e cansaço. E sei que as mudanças devem ser implementadas agora. Daqui a pouco será tarde demais.
Mas também sei que o corpo não é eterno. Não quero abrir mão de viver para não morrer.

Quero uma cervejinha com batatas fritas (pastel já não dá mais) aos sábados regada a conversas sobre a conjuntura política. Nunca mais vou passar na porta de uma turma de ginástica funcional (nem adianta insistir Sandra). Mas também não quero mais ter dor nas costas e a barriga pulando para fora das calças. Quero ter pique para fazer muitas trilhas e explorar diversas cachoeiras. Quero ter netos.

Difícil é saber o limite, a medida.
Mas acho que a cabeça e o corpo vão indicando:
O que dá.
O que não vale mais a pena.
O que o prazer compensa o mal estar no dia seguinte.

Ana Guabiraba

Corpo: Templo edificado


Materialização da minha existência
Edificação das subjetividades construídas
e elaboradas na trajetória desta vida
Instrumentalização de simbologias situadas e contextualizadas.

O corpo fala, pulsa, repulsa, nega
Representa o interior, o estado de espírito
O corpo acompanha o ritmo adotado
Corpo como espaço, território do sujeito
Templo sagrado da alma.

É nele que abrigo minha essência e é com ele, portanto,
que estabeleço parceria repleta de respeito
Locomovo por onde houver desejo, exercito até o limite,
permito o toque amoroso, alimento na quantidade necessária procurando não intoxicar,
descanso para reanimar e entusiasmo para existir.

É com ele que sigo em frente até que dele não precise mais
É ele transição,
mas é veículo para esta existência
na potência da evolução.


Sandra Bouças

domingo, 17 de setembro de 2017

Pane

Nos últimos dias minha máquina de viver deu pane. Claro, já dava sinais de que iria parar a qualquer hora. Aliás, inúmeras vezes fez barulhos estranhos, crec, crás. Mas eu dava um jeito rápido de fazer funcionar de novo: umas batidinhas, um carinho vez ou outra, insistência e pronto, ela continuava trabalhando para mim. Até que enfim chegou o momento em que ela parou e antes de causar o transtorno esperado, deixou alguns recados como "limpar filtros!" "rever programa!" "hiperresfriamento!".

Meu corpo, casa que abriga meus sonhos e histórias e que acolhe os sonhos e histórias de meus filhos, me deu um xeque-mate. É passada a hora de pensar sobre como desejo o meu corpo na outra metade da vida. Não falo da beleza estética, das curvas, rugas ou cicatrizes; mas da saúde física e mental que ele deve dispor para que minha outra metade da vida seja plena.

Como eu quero que meu corpo envelheça? Do que ele será capaz? O que devo mudar em meus hábitos para que ele suporte continuar sua jornada? E o que devo manter? 

Há uns dias essas inquietações não me largam...

Resolvi começar por pequenas mudanças, as que são possíveis agora. Porque nada adianta exigir dele o que não se pode dar no momento, resultaria num conflito interno e numa sobrecarga ainda maior de autocobranças.

A primeira nova atitude é uma alteração alimentar: chá com torradas todas as noites antes do sono e frutas todas as manhãs, especialmente as caldalosas como melão, melancia e abacaxi. Assim, eu consigo limpar os filtros com frequência!

E você já pensou com atenção e cuidado sobre sua saúde hoje? E sobre sua saúde amanhã?

Eu descobri que um pequeno passo pode ser o início de um bom e novo caminhar.


Daniela Bonafé

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Ficar. Tão Longe. Tão Perto.

Algo em movimento (um trem, um carro, um avião).
Primeiro veloz.
Como quem quer percorrer o mundo em cinco minutos (ou décadas).
Depois lento
apreciando a calmaria que se exige ao contemplar uma obra de arte.
Não.
Esta analogia não serve.
Não sou de calmaria.
Não sei andar devagar.

Talvez um filme.
Estilo Bolywood.
Baseado em fatos reais.
Romance, drama, terror, musical.
Tudo ao mesmo tempo, now.
Do meio para o final com direção do Woody Allen.
Leve e profundo.
Dialogando com a simplicidade da vida...

Melhor....
um livro.
Gabriel Garcia Márquez.
Com pitada de drama (destes que a gente inventa).
Reflexivo.
Com recortes: crônicas, contos, poesia.
Algumas receitas.
Bilhetinhos e ilustrações.
Escrito coletivamente.
Mãos que interferem, reescrevem, apontam outros caminhos, vislumbram novas possibilidades.
Para ler em voz alta (com alguns sussurros).
Para ler caminhando.
E algumas vezes sentar para rir.
Compartilhar a leitura.
Dar nó na garganta.
Enrolar por medo do vazio que fica no final.
Simples e complexo.
Incerto e definitivo.
Obscuro e direto.

Assim...

Ana Guabiraba

Analogias

O nascimento com o alvorecer do dia,
A infância com os primeiros raios solares,
Aquecendo no compasso da subida do sol no azul celeste.

Enfim, a adolescência... Sol a pino,
Fogo ardente que toma conta de um corpo
Como se este fosse o próprio mundo inteiro.
A intensidade dos sentidos
Faz do corpo, morada de incertezas
E buscas que saltam,
Na velocidade da luz,
Para as primeiras horas noturnas.

Da presença do sol a pino
À força da noite que chega...
É a juventude: consumindo a existência.
E então, a necessidade de recursos internos
Para novas buscas.

Clamar por quietude e compreensão,
Faz-nos retornar ao pôr do sol,
À cor laranja do céu no fim de tarde:
Esta é a maturidade.

Próximos passos?
Calmaria da alma para sentir o som
E o cheiro das histórias vividas,
Momento de reencontro com a essência,
É a chegada das primeiras horas da madrugada...
Cúmplices do silêncio das estrelas,

É a outra metade da vida pulsando em nós.

Sandra Bouças

domingo, 10 de setembro de 2017

A Outra Metade da Vida

Uma fruta madura
Se toma com gosto do pé
Para saborear devagar.
Aprecia-se o cheiro antes.
A casca vai embora,
De volta à terra.
Fica a polpa suculenta,
Viva,
Para lambuzar-se com prazer.
Consumida, enfim,
Deixa um gosto bom,
Profundo e sem culpa alguma.

Assim deve ser a outra metade da vida.


Daniela Bonafé