terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Sexo

Sexo... Além de prazer, desejo, paixão, amor, consciência e presença no aqui e agora... É libertação! É um estado libertador, é a potência materializada num encontro íntimo, repleto de cumplicidade, troca e entrega.

O corpo é o templo da alma, portanto, só permito o toque se for para ser intenso, se houver desejo, se for capaz de nos libertar dos grilhões que teimam em nos limitar.

Sem regras, o estilo vai depender do momento: às vezes mais ousado, outras mais moderado. Pode ser mais intenso ou mais suave, quem determina somos nós, de acordo com a viagem que desejamos viver. É uma ação compartilhada e, por esta razão, chegaremos onde pudermos ir juntxs... Aliás, esta é a única condição: que alcancemos, nós dois, a plenitude que um ato sexual pode promover nas pessoas que se comprometem com o prazer dx outrx mais do que com o seu próprio.

Dizem os entendidos que existem sensações (cheiro e sabores) que somente um bom vinho velho pode proporcionar, pois é... Chego à conclusão de que com o sexo acontece o mesmo, apesar do vigor da juventude, não abro mão da experiência da maturidade dos tempos atuais. E... Bom... Se for mesmo assim, que venha o sexo na outra metade da vida...

Sandra Bouças


segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Sexo

Boca, beijo, saliva.
Boca, beijo, saliva.
Desejo, desejo, desejo.
Boca no desejo.
Suor.
Mão, saliva, mão.
Boca, mão, saliva.
Invenção.
Tesão.
Suor.
Tudo, tudo, tudo, tudo, tudo...
Não pára.
Sem pudor.
Boca, beijo, saliva, suor.
Mão no desejo.
Calor.
Amor.
Suor.
Mão, saliva, mão.
Arranhão.
Língua, língua, língua, língua...
Não pára.
Sem pudor.
Conexão.
Suor.
Boca, beijo, saliva,
Mão, desejo, calor.
Tesão, invenção, amor.
Conexão, língua, suor.
Tudo, tudo, tudo, tudo, tudo...
Respiro.
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Suspiro
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Daniela Bonafé










domingo, 18 de fevereiro de 2018

Sexo, amor e conexão. Eu e você.

Conhecer o que gosta e o que não gosta.

E mesmo assim descobrir novos pontos, temperaturas, texturas.

Fugir da máxima (ou mínima) que o importante é qualidade.

Quantidade também importa e traz qualidade (calculei 3.000 até o final da vida, acho pouco).

Descobrir novos horários (sim horários), novos cheiros (no meu caso poucos) e a música.

Fechar os olhos para memorizar as sensações.

Conectar, reconectar, descobrir, redescobrir, gostar, desgostar, gozar ou não.

Estar junto. Saber os limites: do corpo, da cabeça, da cultura... e quebrá-los.

Experienciar. Estar. Alí. Naquele instante. Corpo e alma.

Porque juntos somos dois, mas também somos eu e você. 


Ana Maria Guabiraba.

Dar de si. Receber. Gozar.

Sexo é desejo. Sai da cabeça e vai para o corpo. É preciso conhecer o corpo e libertar a mente. Fantasias que alimentamos. Quanto mais a mente é livre para pensar coisas, mais o corpo vibra. Não pode levar a religião, a profissão, o status pra cama. É necessário despir-se.

Eu preciso de intimidade para levar pra cama tudo o que desejo. Por isso, sexo casual pra mim quase nunca foi bom. Quase. As primeiras vezes com alguém também não. Eu preciso me envolver e confiar para me libertar.

Adolescência, com os hormônios a flor da pele, é de um jeito. Não é garantia de que será bom. Com maturidade e especialmente no casamento, é de outro. Às vezes é excepcional, muitas vezes é o melhor de todos os tempos, rs. Às vezes é só rotina mesmo. E pode ser bom também.

Mas pra ser bom de verdade, tem que deixar os tabus de lado. Boca, língua, vagina, ânus. Pode ser o de sempre. Pode ser criativo. Sendo politicamente incorreta a verdade é que sem camisinha é melhor. Mas precisa de conexão. Viver o momento com a intensidade necessária.

Conhecer o próprio corpo para ensinar pro outro o que te dá prazer. Aprender do corpo do outro. Dar de si. Receber. Gozar.


Lívia Freitas

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Seu olhar melhora o meu.

Sinto falta dos óculos.
Acho que ele limitava meu olhar e me trazia um foco.
Aprendi a conviver com um olho enxergando diferente do outro.
E com olhos além do horizonte.
Curioso. Diferente.

Tenho uma fotofobia monstro.
O que me faz usar óculos escuros constantemente.
Descobri recentemente as lentes polarizadas.
Tudo ficou mais vivo e palpável.
Uma nova maneira de ver a vida.

Falo muito... mas tenho necessidade de contemplar em silêncio.
Troquei a parede de um quintal pela paisagem da serra.
O conforto do estacionamento e do elevador, pelas montanhas e o verde.
O horizonte... na sua amplidão.

Vejo tudo, cada detalhe.
Leio espaços, textos, pessoas.
Em alguns momentos da vida queria uma miopia, que tudo estivesse um pouco embaçado.
Mas vejo, e não sei disfarçar. É muito fácil me ver e me ler.

Novas possibilidades de olhar.
De enxergar o outro, a mim, a Criação, e o que pode as criaturas.

O outro, com o outro, todos nós.

Ana Maria Guabiraba.  

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Mira Me

Olho no olho todos os dias.

Por um tempo, míope, vi o mundo pelas lentes.
Estranho tomar banho sem ver os próprios pés.
O laser e minha determinação colocaram um fim nisso.
Rever meu corpo e as paisagens, como quando eu era criança pequena, é ainda um prazer sem limites.

Não escolho o que quero ver.
Tenho mania de ver tudo e cada um.
Meus olhos fitam bichos, insetos, minúsculos detalhes não me escapam.
Às vezes vejo milimetricamente e ajusto quadros nas paredes alheias.

Ao sorrir, fecho os olhos.
Sim, é de família.

Para o dia-a-dia tenho mil olhos.
Olhos atentos aos filhos e compromissos, ao fogo e ao livro.
Mas meus olhos não olham os horários.
Também não enxergam as chaves, celular e outros objetos perdidos dentro da bolsa.

Como se fosse mágica, meus olhos se dirigem ao interior.
Se perdem no silêncio do meu dentro.
Vejo só o meu espaço e minhas gavetas de guardar memórias e desejos.
Gosto de me ver nos poucos minutos que me dou de solidão.

Não tenho olhos secos.
Vivem marejados até nos comerciais de margarina.

Olho com espanto a inveja.
Olho com desespero a maldade.
Olho com compaixão a miséria.
Olho com encantamento a natureza.

Especialmente enxergo pelos sonhos.
Acho que se chama terceiro olho.
Antecipadamente sei das passagens dos outros.
Então há noites que não gosto de ver.

Se me concentro, vejo as cores das pessoas.
Meus olhos ficam estatelados.
Devem pensar que sou meio doida.
Antes eu ligava para o que pensavam e agora nem tanto.

São castanhos e arregalados.

Todas as manhãs meus olhos descortinam o dia.
Eles se surpreendem com o amor,
Que cresce na mesma medida do medo de não estar.
Me vejo passando no tempo e o tempo passando.

Eu quero ver por muito tempo.

Que meu olhar aponte delicadezas
E nunca se desvie da paixão.
Que meu olhar viva indignado frente às injustiças
E seja palco de criatividade.
Que meu olhar se ilumine com as belezas cotidianas
E seja o acolhimento de quem dele precisa.


Daniela Bonafé