Sempre neguei minha feminilidade
Considerava a parte mais fraca de mim.
Ser forte era o contrário de ser feminina.
Não estou falando de batom, meia fina (ainda se usa meia
fina?) e cílios postiços (que eu não tenho a menor ideia como se usa).
Estou falando de falar com o útero, de enfrentar a vida com
o peito aberto, com os seios à mostra.
Entendi esta força feminina em dois momentos da minha vida:
na maternidade e na defesa do meu trabalho.
Entendendo que minha força estava justamente no que de fêmea
existe em mim, passei a rever todos os estereótipos a que somos diariamente
submetidos.
Não quero ser o estereótipo. Não quero submeter meus filhos
e alunos a eles.
Para esta nova fase da vida quero cultivar o meu feminino,
me aproximar das mulheres. Quero entender e valorizar toda esta complexidade feminina.
Quero ser mais Maria.
Ana Maria Guabiraba
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