segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Utopias...

           Amanheci na data combinada por nós para compartilhar nossos textos e não tinha o que oferecer... Não havia saído texto algum, ainda que tivesse pensado muito acerca deste tema que me é tão caro e tão necessário à vida.
              Curioso foi constatarmos que nenhuma de nós havia conseguido escrever e então, decidimos que precisávamos escrever sobre nossas dificuldades em projetar utopia para a outra metade da vida.
              Confesso ter me intrigado com o fato de não conseguir escrever porque desde que entrei em contato com o conceito de utopia, há tempos, decidi que não viveria sem ela, ou sem elas... Gosto de utopias no plural porque concebo precisar de muitas, em muitos aspectos, o que não pode haver é ausência de utopias.
               A minha relação com o conceito sempre foi permeada pela perspectiva da busca, talvez pelo fato de que a primeira definição que me deram foi a de que UTOPIA era algo que não necessariamente alcançávamos, ou seja, podemos passar uma vida movidas por uma utopia e contribuirmos, mas temos grande chances de não vivenciarmos sua plena conquista.
          Pois é, após esta reflexão, fiquei ainda mais preocupada... Afinal, o que havia de errado comigo, é fato que vivemos tempos sociais e políticos sombrios, mas a utopia não deveria estar intacta? À prova de qualquer desmotivação? Não deveria estar focada na plenitude da busca?
   Foi então que percebi que talvez devesse, neste momento, respeitar minha fragilidade e focar na utopia de preservar utopias, é assim que desejo chegar na outra metade da vida... Repleta de Utopias que preservem a minha caminhada e a minha própria essência utópica.



Sandra Bouças

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