Amanheci na data combinada por
nós para compartilhar nossos textos e não tinha o que oferecer... Não havia
saído texto algum, ainda que tivesse pensado muito acerca deste tema que me é
tão caro e tão necessário à vida.
Curioso
foi constatarmos que nenhuma de nós havia conseguido escrever e então,
decidimos que precisávamos escrever sobre nossas dificuldades em projetar
utopia para a outra metade da vida.
Confesso
ter me intrigado com o fato de não conseguir escrever porque desde que entrei em
contato com o conceito de utopia, há tempos, decidi que não viveria sem ela, ou
sem elas... Gosto de utopias no plural porque concebo precisar de muitas, em
muitos aspectos, o que não pode haver é ausência de utopias.
A
minha relação com o conceito sempre foi permeada pela perspectiva da busca,
talvez pelo fato de que a primeira definição que me deram foi a de que UTOPIA
era algo que não necessariamente alcançávamos, ou seja, podemos passar uma vida
movidas por uma utopia e contribuirmos, mas temos grande chances de não
vivenciarmos sua plena conquista.
Pois
é, após esta reflexão, fiquei ainda mais preocupada... Afinal, o que havia de
errado comigo, é fato que vivemos tempos sociais e políticos sombrios, mas a
utopia não deveria estar intacta? À prova de qualquer desmotivação? Não deveria
estar focada na plenitude da busca?
Foi então que
percebi que talvez devesse, neste momento, respeitar minha fragilidade e focar
na utopia de preservar utopias, é assim que desejo chegar na outra metade da vida...
Repleta de Utopias que preservem a minha caminhada e a minha própria essência
utópica.
Sandra Bouças
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