Foram muitos os pensamentos e sentimentos que me invadiram
quando pensei na amizade em retrospectiva e para a outra metade da vida. Abri
minha caixa de recordações e meus álbuns de fotografia e fiquei horas me
deliciando com aquilo. Recados na agenda, cartões de Natal, correspondências
infinitas, bilhetes. Fiquei com saudade das cartas, como era gostoso abrir a
caixa do correio e ver aquela carta, olhar o selo e imaginar que novidades
podiam estar ali dentro.... Apareceram as viagens, as festas, as celebrações, o
primeiro amor, beijo, transa; as paixões, as conquistas pessoais, as conquistas
do outro, as cartas de amor, ser mãe, as alegrias, as crises, os segredos e
sobretudo a vontade de estar junto e compartilhar a existência.
Fui me lembrando de tanta gente que passou pela minha vida e
a importância singular que tiveram: Cacilda Becker, EMIA, KK, FAI, PUC, Niceia,
Leonel, do Jabaquara, de Pirituba, da Pastoral da Juventude, do Chile, amigos
virtuais.
As minhas irmãs são um capítulo à parte. Marília, Maíra e
Láisa. Temos muitas semelhanças. Somos muito diferentes. Somos escuta atenta,
abraço, ombro amigo, gargalhadas, lágrimas. Conversas sinceras, que doem e
alegram, que cuidam e libertam.
Alguns amigos já não cabem mais em rótulos ou categorias, se
tornaram amigos da vida e ponto. Outros ficaram em algum tempo e lugar, mas sei
que quando nos reencontrarmos vai ser aquele abraço gostoso, cheio de saudades
e belas recordações. Aliás, nessa busca me deu vontade de reencontrar tanta gente....
Pra outra metade da vida é isso que desejo: compartilhar a
vida com os meus amigxs. Os que já
passaram pela minha vida e estão dispersos pela distância, pelo tempo, pela
rotina que nos consome, tem espaço no meu coração e podem vir a hora que desejarem,
sem melindres ou cobranças. Os que estão na minha vida quero cultivar e cuidar,
quero a presença e quero ser presente, preservando todas essas relações em que
podemos ser nós mesmos, em que acolhemos e somos acolhidos com nossos defeitos
e virtudes, de peito aberto, mão com mão, olho no olho, a qualquer hora do dia.
Lívia Freitas
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