segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Mão com mão, olho no olho, a qualquer hora do dia

Foram muitos os pensamentos e sentimentos que me invadiram quando pensei na amizade em retrospectiva e para a outra metade da vida. Abri minha caixa de recordações e meus álbuns de fotografia e fiquei horas me deliciando com aquilo. Recados na agenda, cartões de Natal, correspondências infinitas, bilhetes. Fiquei com saudade das cartas, como era gostoso abrir a caixa do correio e ver aquela carta, olhar o selo e imaginar que novidades podiam estar ali dentro.... Apareceram as viagens, as festas, as celebrações, o primeiro amor, beijo, transa; as paixões, as conquistas pessoais, as conquistas do outro, as cartas de amor, ser mãe, as alegrias, as crises, os segredos e sobretudo a vontade de estar junto e compartilhar a existência.

Fui me lembrando de tanta gente que passou pela minha vida e a importância singular que tiveram: Cacilda Becker, EMIA, KK, FAI, PUC, Niceia, Leonel, do Jabaquara, de Pirituba, da Pastoral da Juventude, do Chile, amigos virtuais.

As minhas irmãs são um capítulo à parte. Marília, Maíra e Láisa. Temos muitas semelhanças. Somos muito diferentes. Somos escuta atenta, abraço, ombro amigo, gargalhadas, lágrimas. Conversas sinceras, que doem e alegram, que cuidam e libertam.

Alguns amigos já não cabem mais em rótulos ou categorias, se tornaram amigos da vida e ponto. Outros ficaram em algum tempo e lugar, mas sei que quando nos reencontrarmos vai ser aquele abraço gostoso, cheio de saudades e belas recordações. Aliás, nessa busca me deu vontade de reencontrar tanta gente....

Pra outra metade da vida é isso que desejo: compartilhar a vida com os meus amigxs.  Os que já passaram pela minha vida e estão dispersos pela distância, pelo tempo, pela rotina que nos consome, tem espaço no meu coração e podem vir a hora que desejarem, sem melindres ou cobranças. Os que estão na minha vida quero cultivar e cuidar, quero a presença e quero ser presente, preservando todas essas relações em que podemos ser nós mesmos, em que acolhemos e somos acolhidos com nossos defeitos e virtudes, de peito aberto, mão com mão, olho no olho, a qualquer hora do dia.


Lívia Freitas

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