Viajar, para
mim, sempre foi rica oportunidade de sair do lugar... Sim, literalmente, mas
também simbolicamente. Durante a minha infância, íamos muito para a casa de
parentes no litoral, interior de São Paulo e até outros Estados (poucos). Era
um acontecimento formidável e eu me preparava para vivenciar esta experiência
da forma mais plena possível: esperava todxs estarem prontxs para então ir ao
banheiro pela última vez, afinal, nada poderia me incomodar durante o percurso,
pois seria um encontro comigo mesma... Meu lugar era na janela e entrava numa
espécie de transe formidável: apreciar a paisagem e pensar na vida, ou melhor,
sonhar acordada.
Na
adolescência, vivenciei experiências de viagens “sem lenço, nem documento” na
busca por mim mesma (sempre) e por lugares onde eu coubesse juntamente com meus
sonhos. Em minhas bagagens, meus impulsos e objetos que me identificavam... Em
muitos casos, tais viagens possibilitaram reencontros e desencontros... Grandes
aventuras e descobertas!
Na fase
adulta, viajar tornou-se sinônimo de conhecer: pessoas, jeitos de ser, lugares
com suas especificidades, mas ainda a mim mesma vivendo em outras
circunstâncias, relacionando-me com o novo numa eterna busca por me descobrir
como indivíduo. Curioso como o que procuramos em cada viagem, caracteriza nossa
essência, diz quem somos.
A cada viagem
que faço, volto com uma nova perspectiva da vida, a partir das novas
experimentações, idealizo novos objetivos pessoais, comovente como tem
acontecido isso comigo. Às vezes de maneira mais sutil, outras de maneira bem
intensa. Interessante como vamos longe para encontrar a nós mesmos...
Em 2015, numa
viagem bem planejada, quebrei minha perna e passei a fazer uma viagem interior
que me levou a muitas descobertas e muita transformação. No ano seguinte, optei
por não viajar nas férias e, no fundo, sei que significava não estar pronta
para outro contato comigo mesma de maneira tão intensa.
Atualmente,
estou pronta e disposta... Volto a planejar viagens e assim quero seguir para e
na outra metade da vida: planejando encontros com lugares, pessoas, costumes e,
sempre com as minhas múltiplas possibilidades de ser, inclusive as que ainda
não conheço.
Acabo de me
dar conta das razões que me levam a desejar sempre viajar no meu aniversário...
Delicioso exercício da escrita...
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