terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Viagens...

Viajar, para mim, sempre foi rica oportunidade de sair do lugar... Sim, literalmente, mas também simbolicamente. Durante a minha infância, íamos muito para a casa de parentes no litoral, interior de São Paulo e até outros Estados (poucos). Era um acontecimento formidável e eu me preparava para vivenciar esta experiência da forma mais plena possível: esperava todxs estarem prontxs para então ir ao banheiro pela última vez, afinal, nada poderia me incomodar durante o percurso, pois seria um encontro comigo mesma... Meu lugar era na janela e entrava numa espécie de transe formidável: apreciar a paisagem e pensar na vida, ou melhor, sonhar acordada.
Na adolescência, vivenciei experiências de viagens “sem lenço, nem documento” na busca por mim mesma (sempre) e por lugares onde eu coubesse juntamente com meus sonhos. Em minhas bagagens, meus impulsos e objetos que me identificavam... Em muitos casos, tais viagens possibilitaram reencontros e desencontros... Grandes aventuras e descobertas!
Na fase adulta, viajar tornou-se sinônimo de conhecer: pessoas, jeitos de ser, lugares com suas especificidades, mas ainda a mim mesma vivendo em outras circunstâncias, relacionando-me com o novo numa eterna busca por me descobrir como indivíduo. Curioso como o que procuramos em cada viagem, caracteriza nossa essência, diz quem somos.
A cada viagem que faço, volto com uma nova perspectiva da vida, a partir das novas experimentações, idealizo novos objetivos pessoais, comovente como tem acontecido isso comigo. Às vezes de maneira mais sutil, outras de maneira bem intensa. Interessante como vamos longe para encontrar a nós mesmos...
Em 2015, numa viagem bem planejada, quebrei minha perna e passei a fazer uma viagem interior que me levou a muitas descobertas e muita transformação. No ano seguinte, optei por não viajar nas férias e, no fundo, sei que significava não estar pronta para outro contato comigo mesma de maneira tão intensa.
Atualmente, estou pronta e disposta... Volto a planejar viagens e assim quero seguir para e na outra metade da vida: planejando encontros com lugares, pessoas, costumes e, sempre com as minhas múltiplas possibilidades de ser, inclusive as que ainda não conheço.
Acabo de me dar conta das razões que me levam a desejar sempre viajar no meu aniversário... Delicioso exercício da escrita...


 Sandra Bouças.

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