Das primeiras viagens com a
família, as que fiz com os amigos, sozinha, em casal, com as filhas, não há
viagem da qual eu me arrependa. Viajar sempre foi uma forma de me encontrar. Ao
olhar o novo, conseguir perceber em mim o que me aproxima ou me distancia
daquela realidade. Testar também a tolerância, a paciência, a criatividade e a
capacidade de superar desafios.
A melhor forma de se conhecer as
pessoas é através de uma viagem. Foi assim que me apaixonei pelo meu marido;
que rompemos com um casal de amigos; que outros amigos se tornaram
indispensáveis; que aprendemos a estabelecer as parcerias corretas para cada
roteiro.
Sintoma de que as coisas vão bem
na minha vida é ter planos de viagem. Pode ser perto, pode ser longe. Preciso
sentir aquele vento batendo no rosto; aquele frio na barriga do avião que
decola; olhar o horizonte sem fim; localizar-me geograficamente em uma nova
cidade; sintonizar os ouvidos em um novo idioma; treinar o paladar para um novo
sabor; visualizar uma paisagem pela primeira vez.
Viajar, para mim, é viver. Todas
as vezes que vamos não há a certeza da volta. Vamos cheios de expectativas e
trazemos novas experiências. Quando o carro retorna ao seu destino; quando o
avião pousa, há aquela nostalgia de tudo o que se foi e ao mesmo tempo a
alegria do retorno. Aquela sensação maravilhosa de voltar para casa. Estamos
vivos, com novas histórias e mais energia para enfrentar o cotidiano.
Que essas sensações estejam
presentes nos próximos anos. Que as minhas filhas sejam herdeiras dessa paixão
pela estrada. Que desfrutem dessas experiências e possam proporcionar a si
mesmas e as futuras gerações (se for do seu desejo) essas vivências.
Navegar é preciso.
Lívia Freitas
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