terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Navegar é preciso

Das primeiras viagens com a família, as que fiz com os amigos, sozinha, em casal, com as filhas, não há viagem da qual eu me arrependa. Viajar sempre foi uma forma de me encontrar. Ao olhar o novo, conseguir perceber em mim o que me aproxima ou me distancia daquela realidade. Testar também a tolerância, a paciência, a criatividade e a capacidade de superar desafios.

A melhor forma de se conhecer as pessoas é através de uma viagem. Foi assim que me apaixonei pelo meu marido; que rompemos com um casal de amigos; que outros amigos se tornaram indispensáveis; que aprendemos a estabelecer as parcerias corretas para cada roteiro.

Sintoma de que as coisas vão bem na minha vida é ter planos de viagem. Pode ser perto, pode ser longe. Preciso sentir aquele vento batendo no rosto; aquele frio na barriga do avião que decola; olhar o horizonte sem fim; localizar-me geograficamente em uma nova cidade; sintonizar os ouvidos em um novo idioma; treinar o paladar para um novo sabor; visualizar uma paisagem pela primeira vez.

Viajar, para mim, é viver. Todas as vezes que vamos não há a certeza da volta. Vamos cheios de expectativas e trazemos novas experiências. Quando o carro retorna ao seu destino; quando o avião pousa, há aquela nostalgia de tudo o que se foi e ao mesmo tempo a alegria do retorno. Aquela sensação maravilhosa de voltar para casa. Estamos vivos, com novas histórias e mais energia para enfrentar o cotidiano.

Que essas sensações estejam presentes nos próximos anos. Que as minhas filhas sejam herdeiras dessa paixão pela estrada. Que desfrutem dessas experiências e possam proporcionar a si mesmas e as futuras gerações (se for do seu desejo) essas vivências.

Navegar é preciso.


Lívia Freitas

Nenhum comentário:

Postar um comentário