domingo, 11 de março de 2018

Medo e movimento.


Estou na rua porque tenho medo.
Medo de um futuro mais cinzento do que as tardes de julho.
Medo de que as próximas gerações tenham ainda menos direitos.
Medo de desapontar aqueles que vieram antes de mim e com suor e sangue construíram um hoje menos pior.
  
Mas... para ser sincera, bem sincera, tenho que confessar que precisamos repensar este nosso jeito de fazer.
Não... a resposta não é a internet.
Nela falamos para os nossos.
Mais afastamos do que aproximamos.
Aqueles que pensam diferente, ou ainda não pararam para pensar nesta questão, continuarão distantes.

Acho que precisamos voltar ao tête-à-tête.
Algum movimento para juntos pensarmos e repensarmos.
Construirmos, destruirmos, reconstruirmos.
Repensar o nosso tempo, nosso cotidiano, para vislumbrarmos outras (e não novas) possibilidades.
Acreditarmos que as próximas gerações serão capazes de enfrentar os desafios que são colocados a elas.

Mas nunca, nunca parada.
Nunca conformada.
Nunca colocada na forma.
Nunca acorrentada no meu próprio medo.
Porque sem o movimento meu corpo padece e minha alma morre.

Ana Maria Guabiraba. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário