- Mas e se vocês não voltarem? Quem vai cuidar da gente?
Aquilo me deu um aperto no coração, um nó na garganta.
O dia foi tranquilo e nós retornamos e fomos recebidos com um grande abraço. Mas na mesma hora lembrei que a Marielle não retornou, que o Anderson também não. Na mesma hora pensei nos filhos que tiveram seus pais assassinados na ditadura e dos pais que até hoje não enterraram seus filhos. Daqueles que morrem vítimas da violência urbana.
Acho que antes eu era mais sonhadora, hoje sou mais corajosa. Hoje eu vejo com mais clareza o papel social que temos a obrigação de representar nesse momento histórico. Que nada nos amedronte, que nada nos derrube, que sejamos presença transformadora no mundo, reconhecendo os nossos limites com humildade e fortalecendo a luta dos que estão além de nós. Lutando pelos direitos trabalhistas, mas também lutando pela dignidade da vida de todos, pelo acesso aos direitos básicos de cada cidadão.
Vamos em frente, vamos juntos. O sol há de brilhar.
Lívia Freitas
Nenhum comentário:
Postar um comentário