Tenho buscado refletir acerca dos caminhos que percorri
e dos que desejo ainda percorrer e um dos temas inevitáveis é a tecnologia...
Difícil para mim, percebi minha dificuldade na não disposição de escrever
sobre, mas persisti porque senti a necessidade de olhar para a minha
fragilidade diante do tema.
Até o momento, constato que tenho, em muitos
aspectos da minha vida, buscado formas de libertação e nesse sentido passei a
olhar para os impactos da tecnologia na vida humana. Apenas por reflexão,
arriscaria dizer que a humanidade produz tecnologia visando a liberdade, mas
que em algum momento se perde e se aprisiona.
Como exemplo, cito a loucura da criação de
aparelhos cada vez mais sofisticados, a perda que sofrem as relações quando as
pessoas preferem se falar à distância, a sobrevida proporcionada por aparelhos
na tentativa de “esticar” a vida, a produção de armas capazes de acabar com a
humanidade.
Fico pensando no que mais vou presenciar de
avanço tecnológico e para que lugar estamos indo. Busco, em certa medida, a
preservação das minhas crianças e fico me perguntando sobre o momento ideal de
começarem o acesso aos eletrônicos mais fascinantes... Não tenho respostas
porque ainda não defini exatamente minhas próprias percepções.
O fato é que tenho presenciado em alguns
setores, a humanidade buscando o caminho de volta, desde o nascer até o morrer,
buscando a simplicidade da vida, o contato, a criação manual, os ritmos da
natureza, a busca por ouvir e sentir o corpo e a essência, a verdadeira
liberdade...
Não sou contrária às invenções tecnológicas,
reconheço sua importância e as valorizo, mas receio me aprisionar no contato
com elas. Ainda prefiro inseri-las devagar, no momento em que estivermos
convictxs de que podemos viver bem sem elas.
Sandra Bouças
Nenhum comentário:
Postar um comentário