domingo, 26 de novembro de 2017

Dinheiro para quê?

Tenho quatro sapatos: um tênis, uma sandália, uma bota e um sapato para festas.
Nossa televisão ainda é de tubo e o nosso aparelho de som data do século passado.
Faço praticamente todos os procedimentos estéticos femininos em casa (também porque considero os salões de beleza um local de tortura).
Quando vamos ao cinema levamos pipoca e refrigerante (é verdade).
Se listarmos nossas contas ainda não temos condições de pagá-las.

Alguns gastos fogem da minha capacidade financeira:
Tenho um convênio médico que cobre o melhor hospital da minha região.
Meus filhos estudam em escola privada.
Como yakissoba umas três vezes por mês e pizza umas quatro (o que pode responder pelos meus quilos extras).
Gosto de lojas de 1,99.
Gasto mais de um salário mínimo no supermercado (na verdade quase dois).
Esta semana nos dei o show da Marisa Monte com o Paulinho da Viola.

Com 13 anos de idade, quando comecei a trabalhar, projetei um salário para poder morar sozinha.
Hoje ganho menos do que esta projeção, apesar de trabalhar muito.
Mas não me sinto confortável para me queixar.
Não me falta nada.
Apesar das dívidas acumuladas (e são muitas) tenho um trabalho que me permite pagá-las e uma mãe que me socorre quando a coisa está muito feia.

Projeto uma vida modesta, preciso de pouco.
No entanto, como diz o marido, vida modesta está custando caro...

Os desejos são pequenos:
Me emancipar do Banco do Brasil e não viver pesquisando meu limite no consignado.
Poder nadar duas vezes por semana sem culpa.
Levar as crianças para viajar anualmente.
Pagar algum curso que elas sintam vontade de fazer.
Trabalhar menos.
Precisar menos.
Estar mais. 


Ana Maria Guabiraba. 

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