Tenho quatro
sapatos: um tênis, uma sandália, uma bota e um sapato para festas.
Nossa
televisão ainda é de tubo e o nosso aparelho de som data do século passado.
Faço
praticamente todos os procedimentos estéticos femininos em casa (também porque
considero os salões de beleza um local de tortura).
Quando vamos
ao cinema levamos pipoca e refrigerante (é verdade).
Se listarmos
nossas contas ainda não temos condições de pagá-las.
Alguns
gastos fogem da minha capacidade financeira:
Tenho um convênio
médico que cobre o melhor hospital da minha região.
Meus filhos
estudam em escola privada.
Como
yakissoba umas três vezes por mês e pizza umas quatro (o que pode responder
pelos meus quilos extras).
Gosto de
lojas de 1,99.
Gasto mais
de um salário mínimo no supermercado (na verdade quase dois).
Esta semana
nos dei o show da Marisa Monte com o Paulinho da Viola.
Com 13 anos
de idade, quando comecei a trabalhar, projetei um salário para poder morar
sozinha.
Hoje ganho
menos do que esta projeção, apesar de trabalhar muito.
Mas não me
sinto confortável para me queixar.
Não me falta
nada.
Apesar das
dívidas acumuladas (e são muitas) tenho um trabalho que me permite pagá-las e
uma mãe que me socorre quando a coisa está muito feia.
Projeto uma vida modesta, preciso de pouco.
No entanto,
como diz o marido, vida modesta está custando caro...
Os desejos
são pequenos:
Me emancipar
do Banco do Brasil e não viver pesquisando meu limite no consignado.
Poder nadar
duas vezes por semana sem culpa.
Levar as
crianças para viajar anualmente.
Pagar algum
curso que elas sintam vontade de fazer.
Trabalhar
menos.
Precisar
menos.
Estar mais.
Ana Maria
Guabiraba.
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